Mas nem tome isso como elogio. Criativo é tanta gente nesse mundo que eu só testei um novo sinônimo para “irmão”.A gente, mano, irmão, brother, é tudo criativo. Onde há um brilhinho que seja, há a tal da criatividade que nos torna comuns e humanos.
Tá certo que alguns brilham mais do que os outros. Picasso, Caetano. E a isso dá-se o nome de sucesso, status de celebridade. Uma celebridade criativa é certamente mais iluminada do que todo o hall das celebridades. Já outros aparentemente brilham menos ou não tiveram a atenção dos holofotes nem nos 15 minutos profetizados por Andy Warhol. São a grande massa criativa proletariada.Mas o fato é que todo mundo nasceu pra alguma coisa. Inclusive pra fazer a carinha de quero mais da Sylvia Saint num set de filme pornô.
Daí que eu concluí que a criatividade pessoal é um dos segredos da felicidade. “Eu crio, logo sou feliz” parece ser uma verdade universal,pois o trabalho do artesão toma-lhe finitas horas que serão recompensadas com a satisfação pela obra. Depois tem o reconhecimento dos apreciadores e compradores. Todo e qualquer ar de reverência enche o compartimento de felicidade do criador.
Por isso, cada um de nós veio ao mundo para criar alguma coisa direito. Nem que seja filhos. O caboclo se arranhou todo nos espinhos e criou trajes resistentes. O menino olhou pro piano, deve ter rolado uma química entre eles, na qual a mente se abriu à matemática da música e surgiu Amadeus Mozart. Dentuços horrorosos não comiam ninguém e nem gostavam de estudar, aí se apegaram à bola…
A chave disso tudo chama-se criatividade. O para que eu presto nesse mundo, oras. Considerar que a criatividade só existe nas artes e agências de publicidade é deformar a razão de nossa existência no planeta Ideia.
Embora acredito que somos sempre mais do que nossos frutos, são estes que nos tornam notórios. Estrelas e figurantes. Ser criativo não é apenas pintar Monalisa. Hoje é fazer tecnologia, stand-ups comedies, organizar o roteiro de suas visitas de vendas no trabalho, fazer um prato que o namorado nunca viu antes, fugir da cadeia.
Nunca catalogaram, mas deve existir mais de vinte mil maneiras de se usar um clips.
Se você pensa e chega a soluções causadoras de frissons, frissonzinhos, arrepios ou tesões de molhar calcinha considere-se, como eu, portador do gene muito mais disseminado do que o dos olhos castanhos: o DNA criativo.
Até nos sonhos somos gênios. Basta um bumbum empinado para a inspiração correr solta. Não à toa o Marcello Serpa não sustenta pose de deus alguma. A criatividade é para toldos. Gente come, chora, dorme, caga e cria. Como qualquer outra. Não há chamado dos céus. Não há sangue puro. Não há Olimpo. Não há trombetas. Toda mente tem os neurônios suficientes para ser extraordinária. Apesar dos “nãos” que reprimem e foram recebidos quando criança e das maconhas fumadas na juventude.
Somos criatividade. Da onde será que saíram tantas mentiras convincentes? Há tanta criatividade nas artes marciais que eu acho que os nós de marinheiros são as bases do jiu-jitsu. Ou vice-versa.
Se você ainda não descobriu a sua verdadeira vocação criativa, arregace as mangas dos sentidos, viva as osmoses que pintarem. O que te fizer feliz, tem boas chances de ser o seu dom advindo do “Espírito Criativo”.
O alicerce da criatividade é a intuição. Siga.
A amiga número 1 é a cultura. Adquira.
O alimento é a experimentação. Ouse.
O inimigo é o medo. Elimine.
A alma é toda gente. Aceite.
texto do redator Mauro Sérgio de Morais